Gustav Klimt

Postado em Arte, Outros em Novembro 28, 2009 por francaroland

Gustav Klimt   (1862/1918)

 O cabeçalho da minha página está ilustrado com um detalhe de uma pintura de Gustav Klimt, “Um beijo para o Mundo”, de O Friso de Beethoven (1902). Assim, considero procedente apresentar um breve relato sobre a importância desse pintor no desenvolvimento da estética contemporânea.

O Friso de Beethoven é uma obra que se estende ao longo de três paredes de uma sala do edifício da Secessão (movimento de um grupo de pintores liderados por Klimt) renovado como uma espécie de templo de Beethoven.

Na cena culminante de O Friso de Beethoven Klimt tentou criar um equivalente visual à explosão apaixonada do coral (a Ode a Alegria, de Schiller), no final da Nona Sinfonia de Beethoven.

Nesse quadro aparece o coral, mas a força e a alegria são transmitidas com mais impacto pelo abraço poderoso do casal despido. Finalmente, embora ele represente a Luxúria, a Volúpia e o Excesso como vícios, Klimt só consegue descrever a realização da vida através do erotismo.

A vida de Gustav Klimt coincidiu com a época de ouro de Viena na virada do século, quando era ainda a capital de um grande império. Além do próprio Klimt, Sigmund Freud, Gustav Mahler e Schoenberg eram todos vienenses. Embora Klimt tenha dominado a cena, ele teve muitos colegas de destaque, incluindo Koloman Moser, os arquitetos  Hoffmann e Olbrich e, de geração mais nova, Schile e Kokoschka.

Essa foi uma época de renovação e rebeldia, quando o modernismo estava nascendo. Foi também a era da art nouveau e de atitudes conscientemente decadentes na pintura e na literatura, permeadas de poderosas e muitas vezes mórbidas obsessões eróticas. Em nenhum outro lugar as tensões do período foram sentidas mais fortemente do que na Viena de Freud, onde a moralidade vitoriana ainda reinava na superfície, enquanto prazeres desfrutados imprudentemente eram a ordem do dia em quase todas as camadas sociais.

Em Klimt, a sexualidade vienense encontrou seu maior poeta. Nenhum outro pintor de sua estatura foi tão abertamente devotado à celebração de Eros e, acima de tudo, da mulher como musa, vamp, objeto sexual e finalidade definitiva. Ao mesmo tempo, a pintura de Klimt foi enriquecida pela luta entre impulsos contrários – a representação sensual e essencialmente naturalista do erotismo e um impulso quase sempre subjugante de preencher a tela com uma decoração brilhante e intrincada. A tensão entre os dois é encontrada mesmo nos magníficos retratos de Klimt de mulheres da sociedade e em suas menosprezadas paisagens estonteantes. Em suas obras mais celebradas, tais como O Beijo (1907-8), a emoção e a extravagância decorativa se fundem em paixão incomparável.

Em 1897, Klimt participou de uma rebelião contra o establishment da estética, que levou à fundação da Secessão – um grupo de pintores dissidentes, que desejavam criar e expor trabalhos em estilos mais modernos e ousados.

Nas pinturas A Filosofia, A medicina e A Jurisprudência, Klimt  criou uma visão devastadora da condição humana, repleta de sofrimento, sexo e morte, o que provocou uma tempestade de críticas.

Em 11 de janeiro de 1918, Klimt sofreu um derrame que paralizou seu lado direito, e as esperanças de recuperação se apagaram quando contraiu pneumonia. Morreu em Viena em 6 de fevereiro.

(extraído de “Vida e Obra de Gustav Klimt” de Nathaniel Harris)

  

O beijo para o mundo

Não ao Petróleo

Postado em Artigo (LFR), Política, Urbanismo em Novembro 28, 2009 por francaroland

NÃO AO PETRÓLEO !
Luiz de França Roland
A Companhia Petróleos do Brasil foi incorporada por Monteiro Lobato, Manequinho Lopes e Pereira de Queiroz em 1931 e foi autorizada a funcionar em 17 de maio de 1932. Em agosto desse mesmo ano deu-se o início das prospecções de petróleo no campo de Araquá, hoje município paulista de Águas de São Pedro.
Em 1936, a sonda de Alagoas, depois de ser interditada pelo governo federal, fez jorrar, a 250 metros de profundidade no poço São João de Riacho Doce, o primeiro jato de gás de petróleo no Brasil. A primeira ocorrência de petróleo líquido no Brasil só se deu, coincidentemente, três anos mais tarde (1939) em Lobato, hoje um bairro de Salvador.
A facilidade com que foram subscritas as ações da recém constituída empresa levou Monteiro Lobato a promover a fundação de outras companhias que visavam prospectar petróleo no Brasil, como a Companhia Petróleo Nacional, a Companhia Petrolífera Brasileira e a Companhia de Petróleo Cruzeiro do Sul e a maior de todas, fundada em julho de 1938, a Companhia Mato-Grossense de Petróleo que visava perfurar em local próximo da fronteira com a Bolívia.
Monteiro Lobato teve de lutar contra a resistência do governo brasileiro para fundar a Companhia Petróleos do Brasil. A política oficial do governo brasileiro afirmava que no Brasil não poderia haver petróleo. Se houvesse algum, os americanos, espertos que eram, já o teriam descoberto. Monteiro lobato pensava diferente. Ele achava que o ferro e o petróleo, que eram a base da prosperidade americana, também poderiam ser a do Brasil.
No confronto com o governo brasileiro todas as iniciativas de Lobato foram sabotadas. Isso o levou a escrever uma carta ao ditador Getúlio Vargas, na qual criticava o Conselho Nacional do Petróleo o que resultou na sua prisão.
Como a produção de petróleo em outros países poderia ameaçar o seu monopólio, os norte-americanos subornavam os políticos brasileiros, principalmente os dirigentes do Conselho Nacional do Petróleo. Monteiro Lobato, enojado, desistiu de suas empreitadas e suas últimas palavras sobre esse assunto foram:-
“Chega. Não quero nunca mais tocar neste assunto de petróleo. Amargou-me doze anos de vida, levou-me à cadeia, mas isso não foi o peor. O peor foi a incoercível sensação de repugnância que desde então passei a sentir sempre que leio ou ouço a expressão ‘Governo Brasileiro’…”
Nesse resumido relato do percurso percorrido por Monteiro Lobato no universo da produção petrolífera fica evidente que ele não foi um precursor, um profeta. Ele não conseguiu prever o futuro traumático que o petróleo viria causar a humanidade. Monteiro Lobato foi um homem do seu tempo e viveu a fantasia quimérica do sonho petrolífero. Lobato foi um militante romântico da equivocada campanha do “O Petróleo é nosso”.
Se por um lado Monteiro Lobato não teve sucesso na defesa do petróleo brasileiro, por outro lado ele foi um dos maiores expoentes da literatura infantil. Lobato criou um universo ficcional infantil magistral, não superado até os nossos dias. Ele é cultuado muito mais pelos seus personagens do “Sítio do Pica-pau Amarelo” do que pelas suas inúmeras companhias petrolíferas que não alcançaram sucesso.
A despeito do malogro dos empreendimentos de Lobato na área da exploração do petróleo, a produção petrolífera nacional é, hoje, uma expressão econômica significativa na economia brasileira e do capitalismo universal.
Contudo a produção petrolífera não gerou nenhum beneficio à humanidade, é a economia que mais polui o nosso planeta. Em todas as regiões da terra em que o petróleo foi e está sendo retirado das profundezas do globo somente provocou poluição e exacerbou o estado de pobreza mundial. Provocou e continua a provocar conflitos sangrentos em todos os cantos do mundo.
O petróleo polui o meio ambiente no qual toda a humanidade busca o ar que respira para poder viver! O petróleo, com seu derivado, o asfalto, polui o espaço físico urbano onde a maioria das pessoas vive!
E além do mais: O petróleo é cancerígeno!
A produção mundial de petróleo beneficia particularmente as Big Oil capitalistas envolvidas na maior parte das reservas petrolíferas do planeta, inclusive nas do Brasil.
As elites empresariais econômicas nacionais se ajustaram à ladainha da gigante brasileira, a Petrobrás, e pretendem, com a criação da equivocada Petro-Sal, dar mais um passo na catastrófica exploração do petróleo na região do pré-sal no litoral brasileiro.
Qual a alternativa à utilização do petróleo como fonte de energia?
Entre outras: O HIDROGÊNIO!
Vamos salvar nossas vidas! Precisamos dizer NÃO AO PETRÓLEO!

Luiz de França Roland
é arquiteto de urbanista
e-mail:- lfroland@uol.com.br
(747)

O Golpe de 1964

Postado em Antropologia, Artigo (LFR), Política, Sociologia em Novembro 18, 2009 por francaroland

 O golpe de 1964

Frei Betto, assessor especial do atual Presidente da República, começando seu artigo publicado no Jornal O Regional, afirma que “no dia 31 de março, faz 40 anos, um grupo de militares (…) rasgou a Constituição, derrubou o Presidente Goulart e impôs uma ditadura que durou 21 anos e fez mais de 500 mortos e desaparecidos.”

Essa afirmação não corresponde à realidade dos fatos ocorridos em março de 1964. O golpe de estado não foi praticado pelos militares da época, foi praticado por setores que usualmente são denominados sociedade civil, associados com representantes do poder político. Os militares entraram naquela bravata por equívoco. Foram induzidos pelas lideranças civis da época e se sentiram envaidecidos pelo fictício poder que a mesma sociedade, maliciosamente, colocou em suas mãos.

As imprensas escrita e falada da época, movidas por interesses particulares nacionais e internacionais, e coadjuvadas pelas lideranças político-partidárias brasileiras conservadoras, impuseram à consciência do cidadão desprevenido a idéia que a nação estava sendo conduzida diabolicamente para o domínio do comunismo internacional. Vale lembrar que, nessa mistificação, a Igreja Católica desempenhou papel de significativa importância e emprestou seu apoio ao movimento antes e depois do golpe, ressalvadas a ação da maioria da comunidade Dominicana e de outras minorias religiosas.

A marcha da “família, com Deus, pela Liberdade” foi liderada por matriarcas provincianas de rosários em punho, com notória vinculação ao IPES e o IBAD, e com os apoios da elite brasileira e da Igreja Católica. A campanha do “doe ouro para o bem do Brasil”, fruto da exploração da ingenuidade da população brasileira, foi endossada pelas entidades civis e Clubes de Serviço atuantes na época, ressalvadas algumas exceções. Os governadores de Minas Gerais, Magalhães Pinto, da Guanabara, Carlos Lacerda e de São Paulo, Ademar de Barros, entre outros, apoiados de forma incondicional pela maioria do clero da Igreja Católica, pelos proprietários rurais, por setores da classe média e pelo empresariado nacional e internacional, cooptaram os militares antijanguistas e articularam o golpe de estado.

Após a perpetração do golpe de estado, o carrasco maior e mais ostensivo, a serviço do regime instalado no Brasil, não foi um militar, foi um civil: o Delegado Fleury. No período ditatorial, a censura foi exercida, predominantemente, por civis. A participação de militares nas ações de violência foi um fato subjacente à ideologia que passou a ser denominada de “guerra interna”.

Uma convocação para a marcha de 2 de abril, publicada pelo Jornal Tribuna da Imprensa, relacionava as entidades que apoiavam o movimento: Cruzada do Rosário em Família, Campanha da Mulher, Liga da Defesa Nacional, Círculos Operários Católicos, Associação de Pais de Família, Federação Brasileira Pelo Progresso Feminino, Grupo de Desagravo ao Rosário, Club do Otimismo, União Cívica de São Paulo, Associação das Antigas Alunas do Sacre-Coeur de Jesus, Movimento de Reafirmação Democrática Brasileira, Grupo de Ex-Combatente da FEB, Federação de Assistência dos Lázaros e Defesa Contra a Lepra, Confederação Católica Arquidiocesana do Rio de Janeiro. Todas entidades civis. O convite para a “Grande Marcha” conclamava: “Vamos para as ruas, antes que os inimigos cheguem aos nossos templos e igrejas”.

Consumado o golpe, o grupo vencedor se articulou com as “forças vivas” brasileiras e formou uma equipe de governo eminentemente civil. O golpe que parecia ter sua origem no militarismo teve características civilistas. Dois partidos políticos forjados no desenvolvimento do golpe, a Arena e o MDB (civis), deram legitimidade e sustentação ao regime de exceção.

Não se trata de eximir os militares da responsabilidade pela violência do regime e, também, não se trata de colocar no esquecimento os 500 mortos e desaparecidos, que por si só se constituiu numa tragédia nacional. É evidente que, constituídos em braço armado do capitalismo nacional e internacional, os militares agiram de má fé contra a população brasileira. Todavia, não se pode afirmar, a bem da verdade, que o golpe de 64 foi um golpe militar. Foi um golpe de estado engendrado por forças civis nacionais, com um projeto econômico, político e social claro de concentração de renda, ao qual os militares se uniram.

A equipe de governo formada pelos golpistas era predominantemente civil, cujo expoente máximo foi o economista (civil) Delfim Neto.

De sorte que não se deve caracterizar o golpe de estado, vencedor em 64, como uma ação de militares. Foi um golpe de estado engendrado pelas forças dominantes nacionais que contou com o apoio decisivo da Igreja Católica e dos militares. No momento em que a “ditadura militar” deixou de atender os interesses das elites dominantes, os generais foram afastados do poder e a chamada “democracia civil” foi novamente instaurada no Brasil.

Assim, reconhecendo e admitindo as verdadeiras causas e razões do golpe de 64, poderemos refletir sobre esse episódio da história brasileira e compreender os rumos que o país tomou nos últimos 40 anos. Só dessa maneira a sociedade civil poderá entender seu papel social e sua responsabilidade na construção de um país que deixe de ter como símbolo a miséria da maioria e a violência institucionalizada.

 c.e.:- lfroland@uol.com.br)

Projeto Humano, Arte e Ciência

Postado em Antropologia, Arquitetura, Arte, Artigo (LFR), Ciência, Filosofia, Sociologia em Novembro 14, 2009 por francaroland

       Este texto, que escrevi em fevereiro de 1987, define o que entendo por projeto humano, ciência e  arte, conceitos que norteiam meu percurso de vida.

 Projeto Humano, Arte e Ciência       

        Descartando a preocupação recorrente da maioria das pessoas que alimentam sentimentos idealizados como felicidade, amor, que buscam a resolução das necessidades provocadas pela energia liberada pela libido, pessoas ainda preocupadas com o bem estar individual, segurança, realizações competitivas, prêmios, e outras tantas utopias sentimentais, que com certeza são condicionadas pelas contingências aleatórias da vida e são impossíveis de ser controladas pessoalmente, estou convencido de que o projeto humano é a busca do conhecimento. É a inserção na Plenosfera.

        Repito, para dar a devida ênfase àquilo que é realmente importante para a humanidade: O PROJETO HUMANO É A BUSCA DO CONHECIMENTO. Complementando: é a inserção na PLENOSFERA!

        A Plenosfera é a plenitude de tudo, aquela região que Teilhard de Chardin consubstanciou com o “Ponto Ômega”. A Plenosfera, como conhecimento-consciência infinita, adquire identidade na medida em que se situa mais além de tudo aquilo que se possa considerar no universo do conhecimento.

        Todavia, mais importante do que a identidade da Plenosfera é a preocupação e a necessidade de se estabelecer as identidades da arte e da ciência, parâmetros indissociáveis do conhecimento. Relaciono Plenosfera com arte e ciência porque acredito nesse relacionamento. E receio que, ao longo do movimento da história (não do tempo, que não existe), tenha ocorrido exatamente o contrário, um desrelacionamento nocivo entre o projeto humano (inserção na Plenosfera), arte e ciência.

        Arte tende a ser associada à totalidade do não-movimento. Ela tem sido considerada como um todo pleno que se basta a si mesma. Chega mesmo a ser considerada como uma entidade à parte inserida num universo próprio que se totaliza. Como conseqüência disso, identifica-se o sacerdote da arte: o artista.

        O artista, entidade também à parte, parece isento de movimento porque também é completo em si. (Refiro-me a movimento ascensional, já que se pode aventar movimento cíclico – fase – como se costuma considerar). Daí resulta que os seres humanos, todos eles, são colocados no “ser-estar” do “artista-arte” ou não. Ou são uma coisa ou são outra. Não há permutação, não há cambiamento!

        A identidade da arte e do artista colocada nesses termos é especialmente trágica para o ser humano. Na medida em que essa identidade se dualiza, torna-se ambígua, se frustra e ao mesmo tempo se aliena.

        As conseqüências resultantes disso são observadas no cotidiano da vida. Uns são artistas, outros não o são e todos se alienam.  Repito, não há cambiamento. Uns não se complementam, não se interpenetram, no universo cognitivo uns dos outros.

        A alternativa, então, que coloco é aquela de se identificar a arte como evento caracterizador dos avanços do conhecimento-consciência no sentido da Plenosfera.

      O evento artístico passa a ser identificado como uma ruptura e, por isso mesmo, como um movimento. E, ainda mais, um movimento ascendente. Nunca descendente. (Deixo à margem aqueles segmentos do conhecimento-consciência que, por alguma espécie de aleatoriedade, se aniquilaram.)

        A arte define sempre um avanço. O ponto de ruptura é único. O próximo evento artístico é um novo ponto de ruptura, não se confunde com nenhum ponto anterior. É, como já disse, um movimento para cima. Nem para baixo e nem mesmo um movimento horizontal.

        O existir na horizontal caracteriza o patamar reflexivo, região na qual se identifica a técnica.

        A técnica, no movimento reflexivo horizontal, está potencialmente apta a se romper em um evento artístico.

        O transistor e o zero, por exemplo, significaram rupturas artísticas porque possibilitaram um avanço no conhecimento.

        Somente nesse momento, o da ruptura, o ser humano, agente da reflexão, se identifica como artista.

        É por meio dessa dialética marxista da ruptura que se produz o cambiamento mencionado anteriormente. Esse cambiamento, que pode ocorrer com todo ser humano, é mais importante no momento da sua produção do que o próprio evento artístico.

        Qualquer ser humano, num determinado movimento histórico, poderá se identificar como artista na busca da Plenosfera.

        A ruptura caracterizadora do evento artístico ocorre sob pressão de um conjunto de circunstâncias que tendem a reduzir a zero os patamares reflexivos e, no Ponto Ômega, fazem a tangente da curva movimento-consciência tender ao infinito. A esse conjunto de pressões damos o nome de favorabilidade. Não é um bem e não é um mal. É favorabilidade!

       Uma semente germina na umidade e a umidade é uma favorabilidade, não é um bem.

       Não existe o bem nem o mal maniqueísta, existe a favorabilidade e a ausência dela!

       Identifico pelo menos dois instrumentos que possibilitam um estado de favorabilidade -  a ciência enquanto comportamento científico e a estética, como um corolário da arte enquanto ruptura.

       A ciência se identifica como comportamento reflexivo de questionamento do conhecimento-consciência. A ciência não é nada além disso:  um comportamento. A ciência se ajusta ao contexto movimento-consciência enquanto comportamento reflexivo que favorece os avanços na busca do conhecimento.

        A estética se identifica como reforço reflexivo. O encaminhamento científico marxista, não dogmático, do processo reflexivo se acelera impulsionado pelos reforços estéticos factuais. Assim, é desejável que todo ser humano, na busca das respostas a suas preocupações específicas, por meio de um comportamento científico, seja reforçado reflexivamente por valores estéticos subjetivos de alguma atividade humana – mesmo que não seja especificamente a sua própria atividade – que o possa sensibilizar, como por exemplo, a música, a pintura, a literatura, a arquitetura, a física, a medicina e infinitas outras atividades. Esse reforço, essa favorabilidade, é fundamental, até mesmo condição sine qua non, no processo da busca do conhecimento, do encaminhar no sentido do Ponto Ômega, na tentativa de ingressar na Plenosfera, que, em suma, é o projeto humano.

       Creio que, sendo a busca do conhecimento o seu projeto, o ser humano, ainda assim, não conseguirá penetrar na Plenosfera, posto que a Plenosfera consubstancia-se com o Infinito!

GRÁFICO DO PROJETO  HUMANO

GRÁFICO DO PROJETO HUMANO

Diretrizes iniciais

Postado em Antropologia, Arquitetura, Arte, Artigo (LFR), Artigo (Outros), Cinema, Ciência, Filosofia, Literatura, Música, Outros, Política, Saúde, Sociologia, Urbanismo com as tags em Novembro 14, 2009 por francaroland

Dia 2 de novembro de 2009, dia de Finados.

Inicio hoje minha página de comunicações.

Começo apresentando algumas diretrizes que nortearão esta página.

Em primeiro lugar quero deixar claro que não se trata de uma página de debates. É antes de tudo uma página na qual pretendo apresentar algumas idéias que considero pertinentes ao desenvolvimento do conhecimento das pessoas em geral.

Não pretendo gozar de unanimidade, mas também não pretendo estabelecer polêmica. A polêmica, o debate, segundo Michel Serres, provoca uma pressão que tende sempre a confirmar as idéias estabelecidas. A discussão, a rigor, contribui para polir a precisão, mas jamais para a descoberta. Ainda segundo Serres, a polêmica não inventa nada, pois nada é mais arcaico, do ponto de vista antropológico, do que a guerra (leia-se: a polêmica). A guerra só é mãe da morte, afirma Serres.

De sorte que, se um leitor discordar de uma minha colocação, ou de uma minha opinião, deve se manifestar através do meu e-mail (lfroland@uol.com.br), ou através da sua própria página (Blog). Assim ficarão preservadas a intimidade e o respeito mútuo.

Sei como formalmente os blogs funcionam, conheço suas restrições e suas particularidades, portanto visualizo as possibilidades de estabelecer censura sobre um escrito que possa pretender desqualificar outro. Assim me reservo o direito de estabelecer um modus vivendi que garanta um comportamento respeitoso para ambas as partes.

Portanto, as manifestações dos leitores, nesta página, se porventura ocorrerem, deverão ser impessoais, genéricas, sem nenhum atributo pessoal.