O PREÇO DO VOTO CONSCIENTE

Postado em Política em agosto 21, 2010 por francaroland

O PREÇO DO VOTO CONSCIENTE

          Todo voto, sem exceção, é consciente e todo voto, também sem exceção, tem um preço!

         Algumas entidades, umas laicas, outras clericais, têm se empenhado em praticar um proselitismo duvidoso a favor do ato de votar. Imbuídas de uma pseuda autoridade, sem que se saiba a que títulos estão investidas, essas entidades, através de testemunhos, conferências, artigos, chamadas midiáticas e, até mesmo, bate-papo de esquina, tentam convencer os cidadãos a votar nos candidatos por elas escolhidos, ou, quando não, nas facções ideológicas por elas professadas.

         Todo ato humano é um ato consciente. Somente os alienados agem de maneira inconsciente e os alienados estão proibidos de votar. Os vetores que condicionam um determinado ato consciente, supostamente dirigido para o bem ou para o mal, somente poderão ser avaliados a partir de uma abordagem abrangente. Toda condenação, bem como toda absolvição, são socialmente contratuais. O bem e o mal, no tempo e no espaço, são cambiáveis entre si. O que era bem pode vir a ser mal e vice-versa. Dou um exemplo: todo aborto era, no passado, tido como um crime, hoje ele é aceito como um bem. Considera-se, hoje, que o aborto atende determinadas necessidades das mulheres. De sorte que, para os fins a que se destinam, os julgamentos sobre a consciência do eleitor diante do ato de votar resulta numa inutilidade. É impossível identificar um eleitor que tenha praticado o ato de votar inconscientemente.

         As mesmas entidades que conclamam os eleitores a praticar o voto consciente identificam o voto inconsciente com o voto vendido. Afirmam, portanto, que voto não tem preço. Essa conclusão é falaciosa!

         Todo voto, sem exceção, tem um preço. Todo ato de votar é exercido condicionado por um afeto, não importando que o afeto seja negativo ou positivo. O preço de um voto pode ser uma cesta básica, interesses corporativos, comerciais, pode ser devido a vínculos laicos ou eclesiásticos e, ainda, entre outras infinitas variantes, o voto pode ser vendido por um simples afeto de simpatia ou antipatia dirigido a um determinado candidato. Não pode ser desconsiderada, também, a hipótese do voto ser simplesmente vendido (conscientemente) por uma importância em dinheiro a ser utilizada para o pagamento de um par de óculos, uma operação plástica, terminar a reforma da residência, ou para trocar o carro do ano. Não se pode esquecer que ética (moral) é resultado de um contrato social que se altera no tempo e no espaço. Na sociedade contemporânea o consumismo e a competição não são crimes, são práticas enaltecidas pela sociedade e exercidas conscientemente.

         A prática tem mostrado que são raros os eleitores que exercem o ato de votar tendo em vista objetivos considerados altruístas. São raros, absolutas exceções, os eleitores que, ao votar, consideram, por exemplo, mais importante a erradicação da pobreza do pais do que a melhoria da sua própria renda pessoal.

         Essa polêmica envolvendo o sistema político partidário e eleitoral, alimentada até a exaustão pelo solene Presidente do TSE, não conduz a comunidade brasileira a nenhum futuro promissor. É um proselitismo estéril!

         O sistema de administração nacional através de partidos políticos e atos eleitorais está falido. Não prosperará jamais. É necessário que se busque outras alternativas.

         Num artigo publicado em data passada, neste jornal, apresentei uma possível alternativa (Movimento Cor Azul) e afirmei que enquanto perdurar a síndrome do consumismo e da competição não haverá solução para o problema político administrativo da humanidade e, em particular, para o problema administrativo nacional. Enquanto a competição e o crescimento do PIB forem as “molas do desenvolvimento humano”, com certeza, permaneceremos chafurdados no atoleiro do “preço do voto consciente”.

Luiz de França Roland

é arquiteto e urbanista.

e.e.:- lfroland@uol.com.br

LEI DA FICHA LIMPA

Postado em Política em agosto 21, 2010 por francaroland

O VÍCIO DA FICHA LIMPA

 O Portal Notícia da Manhã, de 16/08/2010, publicou a notícia de que o “Candidato Félix Sahão foi impugnado pela Procuradoria Regional Eleitoral. O catanduvense faz parte de uma lista de 60 nomes que foram impugnados pela Lei da Ficha Limpa”.

Não votarei no Prof. Felix Sahão, não por ser seu contrário político ou por ter sido ele censurado.

Não votarei no Prof. Felix Sahão por duas simples razões. A primeira razão: estou com uma idade que felizmente me desobriga de votar. A segunda razão: mesmo que fosse obrigado a votar, não votaria porque não acredito no processo político-partidário-eleitoral vigente. Todo processo eleitoral é competitivo e toda competição, sem exceção, é corrupta (já tratei desse tema anteriormente).

Por outro lado, toda estrutura partidária se caracteriza como um feudo, território de vassalagem, de cacique político; não existe nada de democrático no sistema político-partidário-eleitoral em vigor na nossa sociedade. A alegada representatividade política é um logro!

Apesar de não participar do ritual eleitoral mitificado, considero a Lei da Ficha Limpa uma farsa. Além de se constituir em uma farsa, a ideologia da Ficha Limpa pretende  apenas encobrir, disfarçar os desvios de comportamento da maioria dos políticos que exercem mandatos eleitorais. Qual o brasileiro minimamente informado que desconhece os despautérios cometidos por políticos no exercício de seus respectivos mandatos eleitorais. É tampar o sol com a peneira!

A Lei da Ficha Limpa foi aprovada por um  chamado Poder Legislativo, sancionada por um chamado Poder Executivo e seus adeptos pretendem que seja implementada por um chamada Poder Judiciário.

Esse mesmo Poder Judiciário, carrasco a serviço da Lei da Ficha Limpa, em decisão inédita do Conselho Nacional de Justiça, condenou por unanimidade dois juizes acusados pela prática de corrupção e prevaricação, praticantes do crime de venda de sentença favoráveis à máfia dos caça-níqueis, em 2007. Os Conselheiros (15) votaram por unanimidade pela punição!

As punições dos dois juizes corruptos se converteram em premiações! Os dois magistrados foram aposentados “compulsoriamente” com seus respectivos ordenados integrais de R$25.386,97, um deles, e  de R$24.117,62, o outro. Essa condenação está sendo considerada a pilhéria da “Corrupção Premiada”!

Diante desse quadro de impunidade generalizada nas três instâncias de Governo, que sentido tem invocar uma esdrúxula Lei de Ficha Limpa?

A Lei da Ficha Limpa é um eufemismo para a prática da censura: o povo somente poderá votar nos candidatos que os “poderes constituídos” julgarem limpos! Somente aqueles que são julgados limpos poderão ser votados!     

Se o voto popular representasse de fato o Poder do Povo, o processo eleitoral seria o único caminho viável para estabelecer censura a um candidato a um cargo público. Não tem consistência o argumento de que uma pessoa passível de julgamento judiciário, mesmo que julgada devedora,  seja impedida de postular um cargo eleitoral. O voto popular é o único que tem legitimidade e competência para definir o encaminhamento de candidatura a um cargo público.

Somente as pessoas extremamente ingênuas acreditam que as instâncias de governo, tanto a Legislativa, quanto a do Executivo e a do Judiciário, sejam constituídas por membros de ilibada reputação e honestidade, mesmo que haja exceções, e que suas decisões sejam isentas de vícios. De sorte que, a candidatura do Professor Felix Sahão deve ser garantida, sem nenhum tipo de censura, para que possa ser submetida somente ao crivo popular.

A viciada Lei da Ficha Limpa nada mais é do que uma forma mascarada de censura que setores lobistas, operando junto ao Legislativo, impuseram à sociedade brasileira, tanto aos que exercem o direito ao voto, como aos que são contrários ao vigente processo político-eleitoral.

 Luiz de França Roland

é Arquiteto e urbanista.

c.e.: <lfroland@uol.com.br>

(609)

Da política do silêncio à estratégia do alarido

Postado em Uncategorized em junho 6, 2010 por francaroland

Da política do silêncio à estratégia do alarido

Formada em Serviço Social, mestre em Sociologia da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo e doutora em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Regina Soares Jurkewicz, professora exonerada do Instituto Superior de Teologia da Diocese de Santo André, editou o livro “Desvelando a Política do Silêncio: Abuso Sexual de Mulheres por Padres no Brasil”

Regina S. Jurkewicz, em entrevista concedida à Eliane Brum, repórter da Revista Época, afirma que dedicou dois anos e meio de pesquisa direcionada à investigação das estratégias usadas pela cúpula da Igreja Católica para silenciar vítimas, proteger agressores e encobrir crimes sexuais cometidos por sacerdotes. A pesquisa, financiada pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), é parte de sua tese de doutorado.

Tentei por várias maneiras ler o livro da Professora Regina S. Jurkewicz mas não consegui. Não conheço, por-tanto, em detalhe, o conteúdo da obra, para que possa emitir uma opinião factual sobre o que está nela retra-tado. Porém, a entrevista concedida pela Professora à Revista Época é suficiente para montar o quadro ideoló-gico que abrangeu o trabalho de pesquisa e que fundamentou sua tese de doutorado.

A Professora se deteve, principalmente, sobre 21 casos denunciados pela imprensa e esmiuçou dois deles em profundidade. A partir desse estudo de caso concluiu que a Igreja Católica no Brasil se coloca acima das leis do Estado e tenta – e em geral consegue – manter os casos de violência sexual praticada por padres dentro de suas sólidas paredes.

Sobre o referido, seria importante verificar se a autora contextualiza os casos de abuso sexual de padres no universo mais amplo de violência sexual no Brasil, o que significa identificar o quanto isso representa em ter-mos comparativos à realidade nacional.

Ao ser questionada, na entrevista, porque preferiu investigar a violência sexual de padres contra as mulheres em vez de se deter na pesquisa da pedofilia, a Professora afirmou que quando se trata de assédio ou de abuso sexual contra a mulher, a primeira idéia é de que ela seduziu o agressor e, quando o agressor é um padre, envolto em aura de santidade, a mulher passa de vítima a culpada.

Pergunta e resposta não convencem. A pedofilia é um assunto, o assédio sexual é outro. Talvez a repórter estivesse se remetendo aos casos de pedofilia denunciados nos Estados Unidos da América do Norte e a Pro-fessora estivesse tentando tomar a parte pelo todo. Além disso, o argumento que culpabiliza a mulher vítima de assédio sexual, independe do agressor ter esta ou aquela escolha vocacional.

Ainda na entrevista, a Professora afirma: o padre, que abusa sexualmente de uma mulher, tem uma proteção institucional diferente dos outros homens. Para a Professora Regina, isso ocorre porque a Igreja Católica no Brasil opta pela política do silêncio, acobertando fortemente o sacerdote. Mais um problema na argumentação da assistente social: a agressão contra a mulher e o acobertamento dos agressores, correntes no Brasil, está relacionada à diferentes instituições sociais além da Igreja.

Regina S. Jurkewicz parece se escandalizar com o fato de que, fundamentada no arrependimento do padre pelo pecado cometido, a Igreja Católica lhe conceda o perdão. Outro problema no enfoque da Professora. Qualquer que seja a análise que se possa fazer, quaisquer que sejam os argumentos que possam ser utiliza-dos, esse é o único comportamento coerente que a Igreja de Cristo pode, e deve, adotar

Diante do arrependimento, para o cristão, somente pode ocorrer o perdão. Esse é o pilar básico que sustenta todo o cristianismo. É descabida qualquer outra expectativa em relação ao comportamento da Igreja diante do arrependimento de um pecado senão a concessão do perdão.

Em síntese, o conteúdo da entrevista que Regina Soares Jurkewicz concedeu a Revista Época, e, creio, que retrata o conteúdo do seu livro “ Desvendando a política do silêncio: o abuso sexual de mulheres por padres no Brasil”, se desenvolve basicamente fundamentada na ideologia: a mulher é sempre vítima e a Igreja Católica no Brasil é sempre prevaricadora.
Resta, então, perguntar sobre o discurso da Professora Regina Soares, endossado por alguns desavisados no contexto da controvertida disputa entre machismo e feminismo, quem é o responsável pelo abuso sexual prati-cado contra a mulher (ou contra o homem)? O homem, a mulher, ou ambos?

Deixando enfaticamente de lado a análise da questão através da ótica maniqueísta de bem e de mal, de pro-duzir uma vítima e um algoz, é necessário que a sociedade (homens e mulheres) aceite o fato de que é res-ponsável pela prática de abuso sexual.

O comportamento erótico explícito da mulher estimulado socialmente, quer pelo vestuário, gestos ou insinua-ções, reduz o homem a um dependente sexual incontrolável. É um confronto no qual a mulher e o homem se articulam para criar uma situação constrangedora de relacionamento humano. A sujeição sexual que a mulher impõe ao homem é milenar, bíblico. Um bom exemplo de submissão sexual praticado pela mulher contra o homem é o relato da Judite (V.T.-Livro de Judite).

Tanto o homem quanto a mulher são responsáveis por essa sujeição sexual.
A questão do comportamento sexual dos padres da Igreja Católica deve, portanto, ser encaminhada pelos lei-gos de outra maneira. Ou seja, o que é que os leigos, mulheres e homens, das paróquias católicas têm feito para erradicar as situações de risco que costumam ocorrer no relacionamento entre padres e fiéis? Quais são as medidas adotadas por mulheres e homens paroquiais para que sejam evitados os casos de práticas sexuais indesejáveis envolvendo mulheres, homens e crianças?

Elucidar essas questões pode ser o caminho para evitar os equívocos da estratégia do alarido utilizado por mulheres feministas para desqualificar o comportamento dos homens por elas considerados machistas, como se os homens fossem sempre os vilões e as mulheres sempre as vítimas.

Luiz de França Roland
Arquiteto e urbanista
Email: lfroland@uol.com.br

Comportamento desejado diante de uma situação estética vivida

Postado em Uncategorized em março 21, 2010 por francaroland

Sempre que uma atividade humana é dada à luz, acorrem, ao considerá-la pelo seu componente estético, tomadas de posições pessoais, tanto por parte daqueles que são considerados especialistas, assim como daqueles que são considerados leigos, numa diversidade tal que se torna quase impossível, a quem se coloca como espectador, optar por uma interpretação conseqüente a sua própria posição.
Sem atender às intenções daquele que gerou o evento, o que, de fato, na quase totalidade das vezes, é impossível, cada interpretador analisa o acontecimento considerando-o vinculado as suas preocupações particulares, circunstância essa que, em razão das diferenças pessoais, dá origem a um emaranhado de juízos responsáveis por incertezas generalizadas.
Sabemos de antemão qual é a reação externada por aqueles que se colocam frente a uma interpretação baseada em fundamentos teóricos de uma atividade para eles desconhecida (interpretação de uma peça teatral, por exemplo). Ou o espectador digere passivamente em seco a interpretação proposta, ou conclui, por desconhecer os fundamentos teóricos particulares sobre os quais se baseou a interpretação, que “não nasceu para a arte”. Ninguém se sente tranqüilo em campo que lhe é estranho.
Todavia, interpretar em definitivo um dado evento, observado a partir de seu conteúdo estético, é empreitada que requer pouco esforço, desde que o interpretador se limite a reproduzir o que o autor anteriormente tenha tornado público; por outro lado, pela inexistência de recursos disponíveis para ter fundamento científico, qualquer outra interpretação, das infinitas possíveis, será conjectural, subjetiva, impossível de ser atingida por todos, e desligada das causas originais do evento analisado, a menos que ocorra uma coincidência.
É necessário que se simplifique o comportamento pessoal diante das situações estéticas vividas. O que deve ser levado em conta é o que cada situação observada vale para cada um particularmente.
É desejável que se assuma, diante de cada acontecimento, uma posição crítica pessoal e que se extraia do evento analisado tudo aquilo que possa ser convertido em reforço reflexivo às próprias preocupações. Comportando-se desta forma fica aberto, para o leigo, o caminho conceitual que prescinde dos juízos especializados. Já que é impossível tornar-se especialista em todas as atividades humanas é necessário que o valor de um evento qualquer, para que não se torne inútil, possa ser captado a partir da potencialidade de quem o observa, qualquer que seja o nível de especialização do observador.
Todo evento, visto a partir de seus componentes estéticos, vale pelo que representa de reforço reflexivo para quem o observa. Assim, uma peça teatral, por exemplo, é válida para um espectador, digamos, à medida que ela exerça função de reforço para seu aperfeiçoamento pessoal, tanto no que diz respeito à sua atividade específica, como ao seu desenvolvimento entendido de maneira global, inclusive naquilo que se refere às necessidades de lazer, a despeito de ele ser ou não um iniciado na atividade teatral. Em resposta a uma eventual indagação, acrescentar-se-á, a fim de dar maior ênfase ao exposto de que “gosto não se educa”. Querer educar o gosto de alguém é querer transferir padrão de comportamento, prática essa condenável exatamente pelo fato de se constituir em uma barreira à reflexão, afora as implicações especulativas que essa transferência comporta. Entender educação como um processo (de auto-exercício), capaz de conduzir o ser humano, mediante a ação de componentes internos e externos a ele, a um refletir consciente diante de situações genéricas de vida, entre as quais se incluem, obviamente, aquelas consideradas de predominante conteúdo estético, para as quais o “gosto” é uma resposta, é uma questão que suporta uma abordagem particular que aqui não cabe fazê-la. Se o desejo de cada um é aquele de entender, de viver um evento estético, qualquer que ele seja, as indagações devem ser elaboradas, sempre, a partir de dentro de si. Dessa forma, qualquer observador desejoso de conseguir “sentir” um acontecimento estético observado, deverá questioná-lo com indagações dirigidas no sentido de aquilatar se o acontecimento observado contribuiu para acrescentar valores positivos ao seu desenvolvimento pessoal e se a situação vivida pode ser tomada como instrumento para um entendimento maior da realidade que o cerca. A resposta deve ser dirigida para dentro de quem questiona através da realidade vivida, porém, jamais da interpretação elaborada de fora, por outro. Não é necessário que um determinado acontecimento seja explicado para que se possa “senti-lo” A apresentação da dança “E Eu Disse”, de Letícia Sekyto (Sesc-16/04 p.p.), por exemplo, analisada a partir de seus muitos aspectos, valeu pela preocupação, em toda a seqüência, de garantir a sua estrutura uma organização espacial e histórica extremamente elaborada. Luiz de França Roland

Arquiteto e urbanista
(e-mail: lfroland@uol.com.br

Arquitetura: A Prancheta e o Canteiro

Postado em Uncategorized em março 21, 2010 por francaroland

Arquitetura: A PRANCHETA E O CANTEIRO
(Arq. Luiz de França Roland)

Arquitetura é a atividade cultural humana que, valendo-se de processos tecnológicos disponíveis, tem como objetivo a organização dos espaços fechados e dos espaços abertos necessários ao desempenho das demais atividades humanas.
Entendo por espaços fechados aqueles que se referem às edificações, abrangendo as suas variadas tipologias. Por es-paços abertos entendo aqueles que, como meio ambiente culturalmente modificados, são necessários ao desempenho de ativi-dades humanas exercidas fora das edificações.
Na organização dos espaços fechados e na organização dos espaços abertos, a arquitetura abrange todos os elementos necessários ao acerto desses espaços.
Assim, além das edificações em si, a arquitetura abrange, na organização dos espaços fechados, a concepção da deco-ração ambiental e todos os objetos que fazem parte e são necessários à organização da edificação.
Na organização dos espaços abertos, a arquitetura abrange todos os detalhes urbanísticos, paisagísticos, bem como os objetos e construções que fazem parte e complementam os espaços abertos.
A Arquitetura preocupa-se, em especial e prioritariamente, com a qualidade de vida das pessoas, levando-se em con-sideração a construção, a conservação e a recuperação do patrimônio cultural edificado e do meio ambiente. E, fundamental-mente, como voltarei a falar mais adiante, Arquitetura é obra construída. Não é arte e não é ciência, é obra.
Se eu afirmo que arquitetura não é arte e não é ciência, é necessário que fique claro o que eu considero que seja arte e o que seja ciência.
Os engenheiros, genericamente, se consideram cientistas e atribuem aos arquitetos a qualidade, geralmente aceita por estes, de serem artistas. Esta visão tem, acentuadamente, condicionado as práticas da engenharia civil e da arquitetura. Essa dicotomia entre arte e ciência tem condicionado os trabalhos realizados na prancheta pelo arquiteto e no canteiro de obras pelo engenheiro civil.
Benedetto Croce, no seu livro “Breviário de Estética” faz a pergunta: o que é arte? E responde com uma afirmação, no mínimo curiosa mas que ele considera como não sendo destituída de sentido: “arte é aquilo que todos sabem o que seja.”
Acredito que se não ficar estabelecida uma mesma linguagem no diálogo entre as pessoas dificilmente ocorrerá um entendimento entre elas. Proponho, então, que se considere como sendo “arte” qualquer ponto de ruptura no avanço do co-nhecimento. Em outras palavras, não somente o canto gregoriano, ou a música de Erik Satie, contém significado artístico co-mo, por exemplo, a roda, o zero, o teorema de Pitágoras e o transistor são eventos artísticos. O canto gregoriano, a música de Satie, Pitágoras, a roda, o transistor e o zero significaram rupturas no avanço do conhecimento. E, tão importante quanto essa verificação, o momento da ruptura, quem provoca a ruptura, o evento artístico, se identifica como sendo artista. Portanto, artis-ta pode ser qualquer ser humano, arquiteto, engenheiro civil, matemático, ou qualquer outro ser pensante. Desde que eles fa-çam arte, que provoquem rupturas.
Por outro lado, nesse contexto, ciência não é uma entidade particularizada. Ciência nada mais é do que um comporta-mento. Ninguém faz ciência. Fazemos, por exemplo, arquitetura, engenharia civil, matemática etc, assumindo um comporta-mento científico. Repito, ciência não é uma entidade isolada, autônoma. É simplesmente um comportamento. Qualquer que seja a pessoa, incluindo o engenheiro e o arquiteto, que assume esse comportamento, e enquanto tal, é um cientista. Não há distinção, no âmbito da arte e da ciência, entre engenheiro civil e arquiteto.
Voltando à conceituação do que seja arquitetura faço outra citação. Enrico Tedeschi no seu livro “ Teoria da Arquite-tura”, afirma: a arquitetura enfrenta uma complexa situação cultural universal e procura (supõem-se) cumprir sua tarefa. Deve resolver uma quantidade de problemas que surgem das necessidades das edificações, do entorno em que devem se situar, das técnicas e dos materiais que podem ser utilizados, das necessidades econômicas e sociais que deve satisfazer. As soluções não podem se dar separadamente, pois a obra arquitetônica deve ser um organismo unitário como todo organismo deve ser. Por outro lado, o arquiteto deve ter uma idéia dos recursos especiais e plásticos (estéticos) que o permitem realizar sua arquitetura. Deve ter uma idéia da escala com a qual a edificação expressará melhor sua sensibilidade para a solução dos problemas dos usuários e sua relação da sua arquitetura com o entorno.
Todavia, o fato do arquiteto lidar com a estética não o transforma, só por isso, num artista. Repetindo, não existe ne-nhuma atividade humana que possa prescindir da estética.
Acredito que já podemos entrar no tema da minha exposição: A PRANCHETA E O CANTEIRO.
Carlos Fayet, diplomado no curso de Pintura na Escola de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é ar-quiteto e urbanista diplomado pela mesma Universidade, afirma: o que interessa na arquitetura é aquilo que se vê. ARQUI-TETURA É OBRA CONSTRUÍDA. O projeto, a prancheta, é uma etapa e não a mais importante. Para o arquiteto, o canteiro é mais importante. É no canteiro que a arquitetura se consubstancia.
A atividade do arquiteto não é somente a de projetar, não se limita a prancheta, ele deve ser também responsável pela execução da obra. Nisso Carlos Fayet é radical: pessoalmente, ele entende que o arquiteto deveria ser proibido de somente projetar.
Para ele, Fayet, o arquiteto que projeta deve ter a obrigação de dirigir a obra, ou, pelo menos, de se responsabilizar por ela, transferindo este serviço, se for o caso, para outro profissional da arquitetura, sob sua supervisão. Na medida em que isso aconteça, o arquiteto deixa de ser, para parte considerável da sociedade, o que é hoje: um profissional supérfluo e na maioria das vezes, inutilmente dispendioso. Um enfeitador de edifícios.
A maior parte da arquitetura no Brasil ainda é realizada sem a participação do arquiteto. Na Espanha, afirma Fayet, a participação do arquiteto no canteiro de obras é obrigatória.
Todavia, essa idéia de colocar o arquiteto no canteiro de serviço não é uma idéia generalizada, nem exercida pela maioria dos arquitetos. As escolas de arquitetura não dão ênfase a esse aspecto. Tudo está voltado, no ensino da arquitetura, para o projeto e principalmente para seu componente estético. O que diz respeito à construção está voltado para viabilizar, informar, preparar ou fazer projeto, resolvido na prancheta, e não para responder pela execução.
Robert Auzelle, no seu livro “O arquiteto”, bate na mesma tecla: O canteiro de serviço é o lugar onde toma corpo o trabalho do arquiteto e onde se faz arquitetura. O arquiteto exerce com plenitude seu ofício no canteiro de obras. De modo que, o arquiteto deve, com efeito, assistir aqueles que irão traduzir suas idéias, convencer os indecisos, escutar as queixas, as obser-vações, as censuras, ouvir as explicações das soluções possíveis e decidir, aceitando e assumindo plenamente todas as respon-sabilidades.
Edgar Albuquerque Graeff, outro profissional de destaque no cenário da arquitetura brasileira, complementa: “o arqui-teto funciona como agente principal do processo de realização de um edifício. É o autor da obra. Cabe ao arquiteto, portanto, coordenar e orientar a organização dos dados que fixam a realização da obra. Cumpre-lhe filtrar exigências, selecionando-as, excluindo algumas e sugerindo outras. É esse o poder do arquiteto: selecionar e escolher os meios de edificação e de interpretar as necessidades concernentes ao edifício. Esse poder faz do arquiteto o responsável maior pelas qualidades da obra de arquite-tura. E é daí que decorre o peso da sua responsabilidade social, como autor de obras que afetam direta e impositivamente a vida dos membros de uma comunidade.
Walter Gropius, arquiteto de nome internacional, conhecido de vocês todos, Diretor da Bauhaus, não deixa por me-nos: “enquanto o ensino da arquitetura girar apenas em torno da prancheta corre-se o perigo de formar um pseudo projetista. Pois é inevitável que a falta de experiência prática no canteiro de serviço leva o arquiteto a cair no modismo e nos clichês esti-lísticos. O arquiteto deve participar, na prática, no canteiro de obras, das diferentes fases do processo de construção.
Como acima foi dito, nem o sociólogo se absteve de dar sua contribuição. José Carlos Garcia Durand, na sua Disser-tação de Mestrado, ele propõe que o arquiteto deve pensar em termos de realidade atual, dominando as possibilidades tecnoló-gicas de cada época, os materiais e os processos construtivos. Esse conhecimento é obtido pelo acompanhamento de todas as etapas da construção e pelo exame, no canteiro de serviço, do projeto inicial realizado na prancheta.
Para complementar esta fase da exposição, menciono o artigo do meu ilustre professor de grandes estruturas, Enge-nheiro Civil José Carlos de Figueiredo Ferraz. Em seu artigo, publicado no Jornal O Estado de São Paulo, em 01 de março de 1970, ele já afirmava: …convenhamos que os limites que separam os campos de trabalho do arquiteto e do engenheiro civil não podem ser considerados uma linha rígida, demarcando duas zonas impermeáveis; mas sim uma faixa fronteiriça larga, cuja tonalidade se esvaece suavemente quando se a transpõe, como sói acontecer com todos os setores de atividades profissionais.
Continua o professor Ferraz, a própria história é testemunha deste fato: a engenharia, como atividade específica pró-pria, nasceu há cerca de dois séculos, diluída que era então na arquitetura, na arte militar e na arte naval. Referimo-nos, dizia Figueiredo Ferraz, naturalmente, à engenharia tal como a entendemos hoje, não obstante a designação engenheiro se empregas-se já na Idade Média, para indicar o construtor da maquinaria bélica e das fortificações, atividades estas que, na época, se en-tendia como “ingenia”.
Já a arquitetura, como definição de um campo de atividade, remonta ao limiar da civilização, consolidando o “Archi-tectus” da Roma antiga uma posição profissional das mais respeitadas.
Tudo era tarefa do arquiteto, afirma o Engenheiro Figueiredo Ferraz. Da concepção até a obra acabada. Isto ao longo do corredor da História. As obras eram dotadas de solidez, estética, cumprindo a intenção funcional do arquiteto.
Os arquitetos dominavam, plenamente, os materiais de construção da época, logrando execuções grandiosas, legítimos testemunhos da época, desafiando os tempos para chegar até nós. Lidavam com materiais dos mais rudimentares, como a pe-dra, a madeira, a cal, a argila e o betume. Eram dotados de um senso estético apurado; e empregavam métodos construtivos ainda hoje correntes.
Os arquitetos gregos faziam revelar a espontaneidade de formas, as nítidas proporções geométricas, a harmonia e técnicas construtivas singulares. Buscavam exprimir a composição fundamental por regras numéricas exatas, onde se repetia certo módulo e se usava a média proporcional.
Ainda nas palavras do Engenheiro Ferraz: embora, supõe-se, a abóbada não lhes fosse desconhecida, os arquitetos gregos empregavam a falsa abóbada: laje de pedra que se superpunha em balanço, até vencer parte do vão, sendo o restante transposto por uma arquitrave.
Os arquitetos romanos, herdeiros do acervo grego e etrusco, foram bem além: abandonaram o método etrusco da cons-trução em abóbada, com o emprego de pedra, a juntas vivas, que exigiam grande rigor de confecção e limitavam os vãos; e passaram a empregar o método construtivo apreendido dos persas, aperfeiçoando-o para a execução dos grandes vãos.
Os arquitetos romanos foram os precursores do concreto. O método construtivo por eles empregado em nada difere do atual. Os arquitetos romanos já conheciam a “linha de pressões”.
A arquitetura românica e, particularmente, a gótica nos dão uma medida exata da grandeza do arquiteto medieval no canteiro de obras.
Imperava então a intuição, aquela maravilhosa e profunda intuição estrutural do arquiteto que, com pesar, vimos pos-teriormente diminuir.
Quando a Revolução Industrial apresentou novos materiais: o ferro, o aço perfilado, o concreto armado, os pré-moldados, aguardando por uma utilização racional, o arquiteto não deu resposta à nova realidade. O arquiteto se postou passi-vo, inerte, ausente, um espectador daquela evolução técnica e artística em marcha acelerada.
Foi então que os engenheiros passaram a ocupar, no canteiro de obra, a posição que sempre coubera aos arquitetos.
Com o passar dos anos onde estavam os arquitetos? O que faziam? O que pensavam?
O que acontecia no Brasil?
De início nada. Nem mesmo havia escolas de arquitetura. A Politécnica de São Paulo, depois de um curso básico, formava engenheiros arquitetos com mais três anos curriculares.
Porém, com o tempo a arquitetura brasileira despontou. Nascia uma arquitetura e definhava a arte de construir. O arquiteto brasileiro estava, cada vez mais, voltado à prancheta, afastava-se da obra.
Estava rompido infelizmente aquele elo tradicional, milenar: ARQUITETO & OBRA.
Essa tarefa seria, então, do engenheiro civil, diziam; e cada vez mais os arquitetos se enclausurariam na prancheta. Pairando distante do pragmatismo, longe do produto acabado, a razão última de todo o seu esforço: a obra arquitetônica.
Lúcio Costa salientava inutilmente: a arquitetura é, antes de mais nada, construção.
Colocou-se, então a questão de que ao arquiteto cabe decidir: permanecer na sua prancheta, desprezando o canteiro de serviço enquanto obra de arquitetura – e ver assim prejudicada sua criação – ou reagir. Reagir, abraçando-se também à tecno-logia e dominando o canteiro de serviço, ver no futuro o testemunho do seu trabalho arquitetônico.
No encaminhamento deste texto procurei apresentar a idéia de que ao arquiteto cabe o controle do canteiro de obras. Tentei evidenciar que não é possível a separação entre a prancheta e o canteiro de obras. Não existe bom projeto sem o domí-nio do sistema construtivo a ser adotado no canteiro de serviço. O profissional da arquitetura não conseguirá elaborar um bom projeto se desconhecer as práticas do canteiro de obras.
Outro pecado mortal que permeia a prancheta e o canteiro é aquele que busca consubstanciar a arquitetura a partir de seu componente estético, artístico. Estou convencido que isso é um erro. A sociedade como um todo e o engenheiro em parti-cular, costumam afirmar que o arquiteto é um artista, busca a estética, e o engenheiro é um cientista, busca a praticidade. É um equívoco.
É verdade que a boa arquitetura não pode prescindir do componente estético, como é verdade, também, que nenhuma outra atividade humana o deve fazer. Não existe boa engenharia que seja capaz de prescindir da estética; nem a boa medicina, nem a boa advocacia, nem a boa culinária, nem o bom magistério, ou seja, nenhuma atividade humana a ser considerada, qual-quer que ela seja, pode prescindir do seu componente estético.
De sorte que, a prancheta não é nem mais e nem menos um instrumento da preocupação da estética do que o canteiro de obras. A prancheta é um instrumento de trabalho da concepção, e mesmo vindo a ser substituída por um artefato moderno, como o computador, por exemplo, o arquiteto não pode prescindir do controle do canteiro de obras.
Concluindo, não é fundamental o nome que se atribua ao profissional que faz arquitetura. Seja denominando-se arqui-teto, engenheiro civil, mestre de obras, ou outro nome qualquer, para ocupar e comandar o canteiro de obras, esse profissional tem de, necessariamente, ter formação arquitetônica.
Não basta ter atribuição legal, é necessário ter competência profissional. Essa afirmação é fundamental para o exercí-cio da arquitetura e vale para qualquer profissional, particularmente, para o engenheiro civil.
De sorte que, sendo que o lugar do arquiteto é no canteiro de serviço, se o engenheiro civil desejar, também, ocupar esse lugar ele deve ter formação arquitetônica. Em outras palavras, a formação arquitetônica é necessária para o desempenho do engenheiro civil no canteiro de obras para que ele não seja identificado como apenas um administrador de empresa da construção.
Formação arquitetônica, que se requer, implica em entender os espaços a ser organizados, fechados e abertos, não com a visão cartesiana de engenheiro: espaço de três dimensões, x, y e z, mas sim, com uma visão abrangente de arquiteto em que o entendimento do espaço implica, além das três dimensões citadas, na consideração das demais dimensões: a do odor, a do som e a da atmosfera particularizada.
Não me sinto a vontade ao pensar que essa pendenga profissional, existente entre os arquitetos e os engenheiros, ve-nha a ser resolvida obedecendo as regras do jogo democrático, isto é, que a vontade da maioria prevaleça e seja traduzida pelo voto. Todos nós sabemos de que lado pende a maioria e o quanto de maldade é subjacente aos processos de votação.
Espero que o entendimento entre as partes em conflito se dê pela via do entendimento, do consenso, do socialismo, não apenas pelo voto majoritário, seja no sistema Confea/Creas, seja no Congresso Nacional. Que não nos fixemos no dogma-tismo estéril das idéias preconceituosas. A praxis na arquitetura deve prevalecer e a solução da questão deve contemplar o bom senso.
Por fim, tudo o que foi proposto para a arquitetura dos espaços fechados, vale para a arquitetura dos espaços abertos. De sorte que, falar em “Engenharia de Tráfego” é uma heresia. Sistema viário é canteiro do urbanismo.
Luiz de França Roland
é arquiteto e urbanista.
(2748)

Gustav Klimt

Postado em Arte, Outros em novembro 28, 2009 por francaroland

Gustav Klimt   (1862/1918)

 O cabeçalho da minha página está ilustrado com um detalhe de uma pintura de Gustav Klimt, “Um beijo para o Mundo”, de O Friso de Beethoven (1902). Assim, considero procedente apresentar um breve relato sobre a importância desse pintor no desenvolvimento da estética contemporânea.

O Friso de Beethoven é uma obra que se estende ao longo de três paredes de uma sala do edifício da Secessão (movimento de um grupo de pintores liderados por Klimt) renovado como uma espécie de templo de Beethoven.

Na cena culminante de O Friso de Beethoven Klimt tentou criar um equivalente visual à explosão apaixonada do coral (a Ode a Alegria, de Schiller), no final da Nona Sinfonia de Beethoven.

Nesse quadro aparece o coral, mas a força e a alegria são transmitidas com mais impacto pelo abraço poderoso do casal despido. Finalmente, embora ele represente a Luxúria, a Volúpia e o Excesso como vícios, Klimt só consegue descrever a realização da vida através do erotismo.

A vida de Gustav Klimt coincidiu com a época de ouro de Viena na virada do século, quando era ainda a capital de um grande império. Além do próprio Klimt, Sigmund Freud, Gustav Mahler e Schoenberg eram todos vienenses. Embora Klimt tenha dominado a cena, ele teve muitos colegas de destaque, incluindo Koloman Moser, os arquitetos  Hoffmann e Olbrich e, de geração mais nova, Schile e Kokoschka.

Essa foi uma época de renovação e rebeldia, quando o modernismo estava nascendo. Foi também a era da art nouveau e de atitudes conscientemente decadentes na pintura e na literatura, permeadas de poderosas e muitas vezes mórbidas obsessões eróticas. Em nenhum outro lugar as tensões do período foram sentidas mais fortemente do que na Viena de Freud, onde a moralidade vitoriana ainda reinava na superfície, enquanto prazeres desfrutados imprudentemente eram a ordem do dia em quase todas as camadas sociais.

Em Klimt, a sexualidade vienense encontrou seu maior poeta. Nenhum outro pintor de sua estatura foi tão abertamente devotado à celebração de Eros e, acima de tudo, da mulher como musa, vamp, objeto sexual e finalidade definitiva. Ao mesmo tempo, a pintura de Klimt foi enriquecida pela luta entre impulsos contrários – a representação sensual e essencialmente naturalista do erotismo e um impulso quase sempre subjugante de preencher a tela com uma decoração brilhante e intrincada. A tensão entre os dois é encontrada mesmo nos magníficos retratos de Klimt de mulheres da sociedade e em suas menosprezadas paisagens estonteantes. Em suas obras mais celebradas, tais como O Beijo (1907-8), a emoção e a extravagância decorativa se fundem em paixão incomparável.

Em 1897, Klimt participou de uma rebelião contra o establishment da estética, que levou à fundação da Secessão – um grupo de pintores dissidentes, que desejavam criar e expor trabalhos em estilos mais modernos e ousados.

Nas pinturas A Filosofia, A medicina e A Jurisprudência, Klimt  criou uma visão devastadora da condição humana, repleta de sofrimento, sexo e morte, o que provocou uma tempestade de críticas.

Em 11 de janeiro de 1918, Klimt sofreu um derrame que paralizou seu lado direito, e as esperanças de recuperação se apagaram quando contraiu pneumonia. Morreu em Viena em 6 de fevereiro.

(extraído de “Vida e Obra de Gustav Klimt” de Nathaniel Harris)

  

O beijo para o mundo

Não ao Petróleo

Postado em Artigo (LFR), Política, Urbanismo em novembro 28, 2009 por francaroland

NÃO AO PETRÓLEO !
Luiz de França Roland
A Companhia Petróleos do Brasil foi incorporada por Monteiro Lobato, Manequinho Lopes e Pereira de Queiroz em 1931 e foi autorizada a funcionar em 17 de maio de 1932. Em agosto desse mesmo ano deu-se o início das prospecções de petróleo no campo de Araquá, hoje município paulista de Águas de São Pedro.
Em 1936, a sonda de Alagoas, depois de ser interditada pelo governo federal, fez jorrar, a 250 metros de profundidade no poço São João de Riacho Doce, o primeiro jato de gás de petróleo no Brasil. A primeira ocorrência de petróleo líquido no Brasil só se deu, coincidentemente, três anos mais tarde (1939) em Lobato, hoje um bairro de Salvador.
A facilidade com que foram subscritas as ações da recém constituída empresa levou Monteiro Lobato a promover a fundação de outras companhias que visavam prospectar petróleo no Brasil, como a Companhia Petróleo Nacional, a Companhia Petrolífera Brasileira e a Companhia de Petróleo Cruzeiro do Sul e a maior de todas, fundada em julho de 1938, a Companhia Mato-Grossense de Petróleo que visava perfurar em local próximo da fronteira com a Bolívia.
Monteiro Lobato teve de lutar contra a resistência do governo brasileiro para fundar a Companhia Petróleos do Brasil. A política oficial do governo brasileiro afirmava que no Brasil não poderia haver petróleo. Se houvesse algum, os americanos, espertos que eram, já o teriam descoberto. Monteiro lobato pensava diferente. Ele achava que o ferro e o petróleo, que eram a base da prosperidade americana, também poderiam ser a do Brasil.
No confronto com o governo brasileiro todas as iniciativas de Lobato foram sabotadas. Isso o levou a escrever uma carta ao ditador Getúlio Vargas, na qual criticava o Conselho Nacional do Petróleo o que resultou na sua prisão.
Como a produção de petróleo em outros países poderia ameaçar o seu monopólio, os norte-americanos subornavam os políticos brasileiros, principalmente os dirigentes do Conselho Nacional do Petróleo. Monteiro Lobato, enojado, desistiu de suas empreitadas e suas últimas palavras sobre esse assunto foram:-
“Chega. Não quero nunca mais tocar neste assunto de petróleo. Amargou-me doze anos de vida, levou-me à cadeia, mas isso não foi o peor. O peor foi a incoercível sensação de repugnância que desde então passei a sentir sempre que leio ou ouço a expressão ‘Governo Brasileiro’…”
Nesse resumido relato do percurso percorrido por Monteiro Lobato no universo da produção petrolífera fica evidente que ele não foi um precursor, um profeta. Ele não conseguiu prever o futuro traumático que o petróleo viria causar a humanidade. Monteiro Lobato foi um homem do seu tempo e viveu a fantasia quimérica do sonho petrolífero. Lobato foi um militante romântico da equivocada campanha do “O Petróleo é nosso”.
Se por um lado Monteiro Lobato não teve sucesso na defesa do petróleo brasileiro, por outro lado ele foi um dos maiores expoentes da literatura infantil. Lobato criou um universo ficcional infantil magistral, não superado até os nossos dias. Ele é cultuado muito mais pelos seus personagens do “Sítio do Pica-pau Amarelo” do que pelas suas inúmeras companhias petrolíferas que não alcançaram sucesso.
A despeito do malogro dos empreendimentos de Lobato na área da exploração do petróleo, a produção petrolífera nacional é, hoje, uma expressão econômica significativa na economia brasileira e do capitalismo universal.
Contudo a produção petrolífera não gerou nenhum beneficio à humanidade, é a economia que mais polui o nosso planeta. Em todas as regiões da terra em que o petróleo foi e está sendo retirado das profundezas do globo somente provocou poluição e exacerbou o estado de pobreza mundial. Provocou e continua a provocar conflitos sangrentos em todos os cantos do mundo.
O petróleo polui o meio ambiente no qual toda a humanidade busca o ar que respira para poder viver! O petróleo, com seu derivado, o asfalto, polui o espaço físico urbano onde a maioria das pessoas vive!
E além do mais: O petróleo é cancerígeno!
A produção mundial de petróleo beneficia particularmente as Big Oil capitalistas envolvidas na maior parte das reservas petrolíferas do planeta, inclusive nas do Brasil.
As elites empresariais econômicas nacionais se ajustaram à ladainha da gigante brasileira, a Petrobrás, e pretendem, com a criação da equivocada Petro-Sal, dar mais um passo na catastrófica exploração do petróleo na região do pré-sal no litoral brasileiro.
Qual a alternativa à utilização do petróleo como fonte de energia?
Entre outras: O HIDROGÊNIO!
Vamos salvar nossas vidas! Precisamos dizer NÃO AO PETRÓLEO!

Luiz de França Roland
é arquiteto de urbanista
e-mail:- lfroland@uol.com.br
(747)

O Golpe de 1964

Postado em Antropologia, Artigo (LFR), Política, Sociologia em novembro 18, 2009 por francaroland

 O golpe de 1964

Frei Betto, assessor especial do atual Presidente da República, começando seu artigo publicado no Jornal O Regional, afirma que “no dia 31 de março, faz 40 anos, um grupo de militares (…) rasgou a Constituição, derrubou o Presidente Goulart e impôs uma ditadura que durou 21 anos e fez mais de 500 mortos e desaparecidos.”

Essa afirmação não corresponde à realidade dos fatos ocorridos em março de 1964. O golpe de estado não foi praticado pelos militares da época, foi praticado por setores que usualmente são denominados sociedade civil, associados com representantes do poder político. Os militares entraram naquela bravata por equívoco. Foram induzidos pelas lideranças civis da época e se sentiram envaidecidos pelo fictício poder que a mesma sociedade, maliciosamente, colocou em suas mãos.

As imprensas escrita e falada da época, movidas por interesses particulares nacionais e internacionais, e coadjuvadas pelas lideranças político-partidárias brasileiras conservadoras, impuseram à consciência do cidadão desprevenido a idéia que a nação estava sendo conduzida diabolicamente para o domínio do comunismo internacional. Vale lembrar que, nessa mistificação, a Igreja Católica desempenhou papel de significativa importância e emprestou seu apoio ao movimento antes e depois do golpe, ressalvadas a ação da maioria da comunidade Dominicana e de outras minorias religiosas.

A marcha da “família, com Deus, pela Liberdade” foi liderada por matriarcas provincianas de rosários em punho, com notória vinculação ao IPES e o IBAD, e com os apoios da elite brasileira e da Igreja Católica. A campanha do “doe ouro para o bem do Brasil”, fruto da exploração da ingenuidade da população brasileira, foi endossada pelas entidades civis e Clubes de Serviço atuantes na época, ressalvadas algumas exceções. Os governadores de Minas Gerais, Magalhães Pinto, da Guanabara, Carlos Lacerda e de São Paulo, Ademar de Barros, entre outros, apoiados de forma incondicional pela maioria do clero da Igreja Católica, pelos proprietários rurais, por setores da classe média e pelo empresariado nacional e internacional, cooptaram os militares antijanguistas e articularam o golpe de estado.

Após a perpetração do golpe de estado, o carrasco maior e mais ostensivo, a serviço do regime instalado no Brasil, não foi um militar, foi um civil: o Delegado Fleury. No período ditatorial, a censura foi exercida, predominantemente, por civis. A participação de militares nas ações de violência foi um fato subjacente à ideologia que passou a ser denominada de “guerra interna”.

Uma convocação para a marcha de 2 de abril, publicada pelo Jornal Tribuna da Imprensa, relacionava as entidades que apoiavam o movimento: Cruzada do Rosário em Família, Campanha da Mulher, Liga da Defesa Nacional, Círculos Operários Católicos, Associação de Pais de Família, Federação Brasileira Pelo Progresso Feminino, Grupo de Desagravo ao Rosário, Club do Otimismo, União Cívica de São Paulo, Associação das Antigas Alunas do Sacre-Coeur de Jesus, Movimento de Reafirmação Democrática Brasileira, Grupo de Ex-Combatente da FEB, Federação de Assistência dos Lázaros e Defesa Contra a Lepra, Confederação Católica Arquidiocesana do Rio de Janeiro. Todas entidades civis. O convite para a “Grande Marcha” conclamava: “Vamos para as ruas, antes que os inimigos cheguem aos nossos templos e igrejas”.

Consumado o golpe, o grupo vencedor se articulou com as “forças vivas” brasileiras e formou uma equipe de governo eminentemente civil. O golpe que parecia ter sua origem no militarismo teve características civilistas. Dois partidos políticos forjados no desenvolvimento do golpe, a Arena e o MDB (civis), deram legitimidade e sustentação ao regime de exceção.

Não se trata de eximir os militares da responsabilidade pela violência do regime e, também, não se trata de colocar no esquecimento os 500 mortos e desaparecidos, que por si só se constituiu numa tragédia nacional. É evidente que, constituídos em braço armado do capitalismo nacional e internacional, os militares agiram de má fé contra a população brasileira. Todavia, não se pode afirmar, a bem da verdade, que o golpe de 64 foi um golpe militar. Foi um golpe de estado engendrado por forças civis nacionais, com um projeto econômico, político e social claro de concentração de renda, ao qual os militares se uniram.

A equipe de governo formada pelos golpistas era predominantemente civil, cujo expoente máximo foi o economista (civil) Delfim Neto.

De sorte que não se deve caracterizar o golpe de estado, vencedor em 64, como uma ação de militares. Foi um golpe de estado engendrado pelas forças dominantes nacionais que contou com o apoio decisivo da Igreja Católica e dos militares. No momento em que a “ditadura militar” deixou de atender os interesses das elites dominantes, os generais foram afastados do poder e a chamada “democracia civil” foi novamente instaurada no Brasil.

Assim, reconhecendo e admitindo as verdadeiras causas e razões do golpe de 64, poderemos refletir sobre esse episódio da história brasileira e compreender os rumos que o país tomou nos últimos 40 anos. Só dessa maneira a sociedade civil poderá entender seu papel social e sua responsabilidade na construção de um país que deixe de ter como símbolo a miséria da maioria e a violência institucionalizada.

 c.e.:- lfroland@uol.com.br)

Projeto Humano, Arte e Ciência

Postado em Antropologia, Arquitetura, Arte, Artigo (LFR), Ciência, Filosofia, Sociologia em novembro 14, 2009 por francaroland

       Este texto, que escrevi em fevereiro de 1987, define o que entendo por projeto humano, ciência e  arte, conceitos que norteiam meu percurso de vida.

 Projeto Humano, Arte e Ciência       

        Descartando a preocupação recorrente da maioria das pessoas que alimentam sentimentos idealizados como felicidade, amor, que buscam a resolução das necessidades provocadas pela energia liberada pela libido, pessoas ainda preocupadas com o bem estar individual, segurança, realizações competitivas, prêmios, e outras tantas utopias sentimentais, que com certeza são condicionadas pelas contingências aleatórias da vida e são impossíveis de ser controladas pessoalmente, estou convencido de que o projeto humano é a busca do conhecimento. É a inserção na Plenosfera.

        Repito, para dar a devida ênfase àquilo que é realmente importante para a humanidade: O PROJETO HUMANO É A BUSCA DO CONHECIMENTO. Complementando: é a inserção na PLENOSFERA!

        A Plenosfera é a plenitude de tudo, aquela região que Teilhard de Chardin consubstanciou com o “Ponto Ômega”. A Plenosfera, como conhecimento-consciência infinita, adquire identidade na medida em que se situa mais além de tudo aquilo que se possa considerar no universo do conhecimento.

        Todavia, mais importante do que a identidade da Plenosfera é a preocupação e a necessidade de se estabelecer as identidades da arte e da ciência, parâmetros indissociáveis do conhecimento. Relaciono Plenosfera com arte e ciência porque acredito nesse relacionamento. E receio que, ao longo do movimento da história (não do tempo, que não existe), tenha ocorrido exatamente o contrário, um desrelacionamento nocivo entre o projeto humano (inserção na Plenosfera), arte e ciência.

        Arte tende a ser associada à totalidade do não-movimento. Ela tem sido considerada como um todo pleno que se basta a si mesma. Chega mesmo a ser considerada como uma entidade à parte inserida num universo próprio que se totaliza. Como conseqüência disso, identifica-se o sacerdote da arte: o artista.

        O artista, entidade também à parte, parece isento de movimento porque também é completo em si. (Refiro-me a movimento ascensional, já que se pode aventar movimento cíclico – fase – como se costuma considerar). Daí resulta que os seres humanos, todos eles, são colocados no “ser-estar” do “artista-arte” ou não. Ou são uma coisa ou são outra. Não há permutação, não há cambiamento!

        A identidade da arte e do artista colocada nesses termos é especialmente trágica para o ser humano. Na medida em que essa identidade se dualiza, torna-se ambígua, se frustra e ao mesmo tempo se aliena.

        As conseqüências resultantes disso são observadas no cotidiano da vida. Uns são artistas, outros não o são e todos se alienam.  Repito, não há cambiamento. Uns não se complementam, não se interpenetram, no universo cognitivo uns dos outros.

        A alternativa, então, que coloco é aquela de se identificar a arte como evento caracterizador dos avanços do conhecimento-consciência no sentido da Plenosfera.

      O evento artístico passa a ser identificado como uma ruptura e, por isso mesmo, como um movimento. E, ainda mais, um movimento ascendente. Nunca descendente. (Deixo à margem aqueles segmentos do conhecimento-consciência que, por alguma espécie de aleatoriedade, se aniquilaram.)

        A arte define sempre um avanço. O ponto de ruptura é único. O próximo evento artístico é um novo ponto de ruptura, não se confunde com nenhum ponto anterior. É, como já disse, um movimento para cima. Nem para baixo e nem mesmo um movimento horizontal.

        O existir na horizontal caracteriza o patamar reflexivo, região na qual se identifica a técnica.

        A técnica, no movimento reflexivo horizontal, está potencialmente apta a se romper em um evento artístico.

        O transistor e o zero, por exemplo, significaram rupturas artísticas porque possibilitaram um avanço no conhecimento.

        Somente nesse momento, o da ruptura, o ser humano, agente da reflexão, se identifica como artista.

        É por meio dessa dialética marxista da ruptura que se produz o cambiamento mencionado anteriormente. Esse cambiamento, que pode ocorrer com todo ser humano, é mais importante no momento da sua produção do que o próprio evento artístico.

        Qualquer ser humano, num determinado movimento histórico, poderá se identificar como artista na busca da Plenosfera.

        A ruptura caracterizadora do evento artístico ocorre sob pressão de um conjunto de circunstâncias que tendem a reduzir a zero os patamares reflexivos e, no Ponto Ômega, fazem a tangente da curva movimento-consciência tender ao infinito. A esse conjunto de pressões damos o nome de favorabilidade. Não é um bem e não é um mal. É favorabilidade!

       Uma semente germina na umidade e a umidade é uma favorabilidade, não é um bem.

       Não existe o bem nem o mal maniqueísta, existe a favorabilidade e a ausência dela!

       Identifico pelo menos dois instrumentos que possibilitam um estado de favorabilidade -  a ciência enquanto comportamento científico e a estética, como um corolário da arte enquanto ruptura.

       A ciência se identifica como comportamento reflexivo de questionamento do conhecimento-consciência. A ciência não é nada além disso:  um comportamento. A ciência se ajusta ao contexto movimento-consciência enquanto comportamento reflexivo que favorece os avanços na busca do conhecimento.

        A estética se identifica como reforço reflexivo. O encaminhamento científico marxista, não dogmático, do processo reflexivo se acelera impulsionado pelos reforços estéticos factuais. Assim, é desejável que todo ser humano, na busca das respostas a suas preocupações específicas, por meio de um comportamento científico, seja reforçado reflexivamente por valores estéticos subjetivos de alguma atividade humana – mesmo que não seja especificamente a sua própria atividade – que o possa sensibilizar, como por exemplo, a música, a pintura, a literatura, a arquitetura, a física, a medicina e infinitas outras atividades. Esse reforço, essa favorabilidade, é fundamental, até mesmo condição sine qua non, no processo da busca do conhecimento, do encaminhar no sentido do Ponto Ômega, na tentativa de ingressar na Plenosfera, que, em suma, é o projeto humano.

       Creio que, sendo a busca do conhecimento o seu projeto, o ser humano, ainda assim, não conseguirá penetrar na Plenosfera, posto que a Plenosfera consubstancia-se com o Infinito!

GRÁFICO DO PROJETO  HUMANO

GRÁFICO DO PROJETO HUMANO

Diretrizes iniciais

Postado em Antropologia, Arquitetura, Arte, Artigo (LFR), Artigo (Outros), Ciência, Cinema, Filosofia, Literatura, Música, Outros, Política, Saúde, Sociologia, Urbanismo com as tags em novembro 14, 2009 por francaroland

Dia 2 de novembro de 2009, dia de Finados.

Inicio hoje minha página de comunicações.

Começo apresentando algumas diretrizes que nortearão esta página.

Em primeiro lugar quero deixar claro que não se trata de uma página de debates. É antes de tudo uma página na qual pretendo apresentar algumas idéias que considero pertinentes ao desenvolvimento do conhecimento das pessoas em geral.

Não pretendo gozar de unanimidade, mas também não pretendo estabelecer polêmica. A polêmica, o debate, segundo Michel Serres, provoca uma pressão que tende sempre a confirmar as idéias estabelecidas. A discussão, a rigor, contribui para polir a precisão, mas jamais para a descoberta. Ainda segundo Serres, a polêmica não inventa nada, pois nada é mais arcaico, do ponto de vista antropológico, do que a guerra (leia-se: a polêmica). A guerra só é mãe da morte, afirma Serres.

De sorte que, se um leitor discordar de uma minha colocação, ou de uma minha opinião, deve se manifestar através do meu e-mail (lfroland@uol.com.br), ou através da sua própria página (Blog). Assim ficarão preservadas a intimidade e o respeito mútuo.

Sei como formalmente os blogs funcionam, conheço suas restrições e suas particularidades, portanto visualizo as possibilidades de estabelecer censura sobre um escrito que possa pretender desqualificar outro. Assim me reservo o direito de estabelecer um modus vivendi que garanta um comportamento respeitoso para ambas as partes.

Portanto, as manifestações dos leitores, nesta página, se porventura ocorrerem, deverão ser impessoais, genéricas, sem nenhum atributo pessoal.

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